Na reunião do FEP do dia 20/05/10 foram discutidos dois textos:
O fetiche da quantidade de Renato Mezan, sugerido por Paulinha e A mentira da cultura, de Monclar Valverde, texto sugerido por Clivio.
A reunião teve inicio depois de uma verdadeira querela com as caixas de som, que não funcionaram, fazendo com que usassemos o som do notebook mesmo. Foi a vez de Verônica tocar o PlayList. Ouvimos a música "Tudo" da banda mineira Pato fu, acompanhada por uma animação e também a música de marisa monte Apagaram Tudo
A discussão começou com o texto de Valverde, mas antes que esta fosse formalizada, Denise e Isis já discutiam políticas culturais, tombamento de manifestações imateriais e a cultura baiana na UTI; num diálogo paralelo rsrsrsrs...
Rosane achou que o problema apontado no texto era a espetacularização da cultura popular, Marcelo concordou e acrescentou que o que a elite elege como cultura logo é mercantilizado, é massificado para gerar lucro. Clívio apontou que, associado a esta espetacularização denunciada pelo autor, estava o "estancamento" das manifestações culturais em seus respectivos "lugares", desconsiderando a possibilidade de ascenção social e ampliação da participação no mercado de consumo. No entanto, Cívio questiona: será que existiu, na própria origem desses grupos culturais, a intenção de ascensão social?
Denise acreditava que o texto apontava para a descentralização de recursos promovida pelo governo Wagner, e o autor parecia estar desgostoso disso, falando de uma demonização da cultura de elite, que para ele é permanente, enquanto a popular é efêmera. Ora, ela lembrou, a cultura de elite é permanente porque ela é escolhida para ser preservada.
Rosane ao ouvir isso contrapôs essa afirmação, colocando que a política cultural do governo Wagner, para além da burocratização do acesso aos recursos destinados à cultura, criou o "fundo da cultura", facilitando o acesso às mais diversas manifestações que solicitassem apoio, sem precisar passar por um produtor, e etc. Termina exemplificando com o jazz, por exemplo, já foi muito marginalizado e hoje é idolatrado pela classe média dita culta. Clívio, então, retoma: "a cultura da elite, no meu entendimento do texto, se preserva, não por ter acesso mais fácil ao recurso nem por ser escolhida, mas porque trata as outras culturas com falsos aplausos e, contrapondo com Maturana, diz: "O Outro deve ser reconhecido como Legítimo Outro.”
Falou-se também da estagnação econômica das comunidades que preservam as suas manifestações. Elas são celebradas pelos discursos político, acadêmico e midíatico, contudo basta reinvindicarem outro tipo de participação (saúde, educação, trabalho) que logo são caladas pelo aparelho repressor dessa mesma sociedade que diz tê-las em alta conta.
Narciso aproveitou um momento mais calmo da reunião para introduzir a discussão do texto O fetiche da quantidade. Ele criticou os prazos e as cobranças exageradas de produção. Todos concordaram que os prazos são necessários, mas a obrigação de publicar muitos artigos leva a um comprometimento na qualidade do texto. Muitas vezes forçando o aluno a entrar em verdadeiras "cirandas" para aumentar seu número de publicações. Clívio, no entanto, diz que este discurso não pode ser adotado em sentido banal, levando aos estudandes a um imobilismo na produção, uma vez que, segundo ele, esta produção também se constitui num exercício de escrita da própria pesquisa. Diz, ainda, que as articulações entre membros de um mesmo grupo de pesquisa visando a publicação fortalece o mesmo, desde que não sejam articulações artificiais, de colocar nomes em artigos sem ter escrito e sem a mínima competência para tratar de tal assunto. Rose, rapidamente, diz: conheço muita gente que faz isso! Rsrsrs... Marcelo traz um exemplo de um professor que terminou o doutorado na década de 80 e nunca mais tinha publicado nenhum trabalho, mostrando os perigos de tal imobilismo na produção.
Concordamos em reunião que, às vezes, a pesquisa não está suficientemente amadurecida, mas o aluno publica um artigo bem escrito cheio de conjecturas. Estamos em pleno regime da quantidade, esperando que em breve a CAPES resolva analisar o conteúdo produzido pelos acadêmicos desse país, ao invés de se deter apenas em números, que muitas vezes não significam muito. Que deixe de ser
quantis e passe a ser
qualis, como aparentemente se propõe.